APA Triunfo do Xingu lidera pressão por desmatamento pelo quinto ano consecutivo na Amazônia

Relatório mostra dados do segundo trimestre de 2026, em que o Pará foi o estado com o maior número de áreas protegidas pressionadas e ameaçadas pela derrubada da floresta

30/07/26

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Estradas e maquinário ilegais em terras indígenas Yanomami na Amazônia (Imagem: Valentina Ricardo/Greenpeace)
Estradas e maquinário ilegais em terras indígenas Yanomami na Amazônia (Imagem: Valentina Ricardo/Greenpeace)

A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, foi a unidade de conservação mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no segundo trimestre do ano, entre abril e junho de 2026. A unidade de conservação estadual, localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, ocupa a primeira posição no período há cinco anos consecutivos.

O Pará também se destacou por concentrar o maior número de áreas protegidas entre as mais afetadas pelo desmatamento no segundo trimestre de 2026. Além da APA Triunfo do Xingu, outras três unidades localizadas no estado estão entre as mais pressionadas. Na sequência aparecem o Acre, com três áreas protegidas, e Mato Grosso, com duas.

Áreas Protegidas com mais pressão (abril a junho de 2026)

Ranking

Nome

Categoria

Estado

1

APA Triunfo do Xingu 

UCE 

PA 

2

Resex Chico Mendes 

UCF 

AC 

3

APA do Tapajós 

UCF 

PA

4

APA do Lago de Tucuruí 

UCE 

PA 

5

TI Yanomami 

TI 

AM/RR 

6

Resex Guariba-Roosevelt 

UCE 

MT 

7

FES do Antimary 

UCE 

AC 

8

FES do Mogno 

UCE 

AC 

9

PI Xingu 

TI 

MT 

10

APA Arquipélago do Marajó 

UCE 

PA 

Os dados fazem parte do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, elaborado pelo Imazon. O estudo monitora o avanço do desmatamento sobre unidades de conservação e terras indígenas da Amazônia Legal, distinguindo os territórios sob ameaça, quando a perda de floresta ocorre no entorno, dos territórios sob pressão, quando o desmatamento ocorre dentro de seus limites. Os resultados de 2026 já indicavam a APA Triunfo do Xingu entre as áreas protegidas mais pressionadas desde o início do ano.

“A permanência de uma área protegida sob pressão constante do desmatamento impacta diretamente a integridade da floresta, causa a degradação e a fragmentação florestal contínuas, comprometendo a resiliência do ecossistema, os serviços ecossistêmicos de conservação da biodiversidade e a sustentabilidade socioambiental das populações tradicionais. Esse histórico reforça a urgência de fortalecer o monitoramento, intensificar a fiscalização e punir os responsáveis para conter o avanço do desmatamento”, avalia o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.

O Pará também lidera o ranking dos estados com mais territórios ameaçados pelo desmatamento. Ao todo, cinco áreas protegidas paraenses estão entre as mais ameaçadas no segundo trimestre de 2026.

Apesar desse cenário no Pará, foi no Acre que o levantamento identificou a área protegida mais ameaçada: a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, que enfrenta um histórico de problemas ambientais e, no segundo trimestre de 2026, também ocupou a segunda posição entre as áreas protegidas mais pressionadas pelo desmatamento.

Áreas Protegidas com mais ameaça (abril a junho de 2026)

Ranking

Nome

Categoria

Estado

1

Resex Chico Mendes 

UCF 

AC 

2

Flona do Iquiri 

UCF 

AM 

3

APA do Tapajós 

UCF 

PA 

4

APA do Lago de Tucuruí 

UCE 

PA 

5

Parna Mapinguari 

UCF 

AM/RO 

6

TI Baú 

TI 

PA 

7

TI Araribóia 

TI 

MA 

8

Flona do Trairão 

UCF 

PA 

9

TI Trincheira/Bacajá 

TI 

PA 

10

FES do Antimary 

UCE 

AC 

“A situação da Resex Chico Mendes exige atenção porque reúne dois sinais de alerta. Ao mesmo tempo em que o desmatamento já ocorre dentro da unidade, novas áreas de derrubada avançam em seu entorno. Isso indica que, se as ações de proteção não forem reforçadas, a pressão sobre o território tende a aumentar, ampliando os riscos para a floresta e para as populações locais”, observa a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.

Terras Indígenas seguem sob risco de avanço do desmatamento

Entre as terras indígenas, a Yanomami, localizada entre o Amazonas e Roraima, e o Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, tiveram mais alertas de desmatamento registrados. Entre as dez terras indígenas mais pressionadas, quatro também apareciam no levantamento anterior, indicando a continuidade das perdas florestais.

Além de abrigar parte da TI Yanomami, que lidera o ranking das mais pressionadas pelo desmatamento desde o primeiro trimestre de 2026, o Amazonas reúne outras três áreas entre as dez mais pressionadas no segundo trimestre, se consolidando como o estado com o maior número de TI’s com pressão.

“Quando uma terra indígena aparece repetidamente entre as mais ameaçadas ou pressionadas, não é apenas a floresta que está em risco. O avanço do desmatamento compromete territórios fundamentais para a manutenção dos modos de vida de populações que vivem neles há séculos, além de afetar sua segurança alimentar, práticas culturais e a proteção da biodiversidade”, alerta Bianca.

Terras indígenas com mais Pressão (abril a junho de 2026)

Ranking

Nome

Estado

1

TI Yanomami 

AM/RR 

2

PI Xingu 

MT 

3

TI Cachoeira Seca do Iriri 

PA 

4

TI Aripuanã 

MT 

5

TI Mundurucu 

PA 

6

TI Pirahã 

AM 

7

TI Rio Biá 

AM 

8

TI Araribóia 

MA 

9

TI Coatá-Laranjal 

AM 

10

TI Krikati 

MA 

Já entre as terras indígenas mais ameaçadas, ou seja, com mais ocorrências de desmatamento em seu entorno, estão a Baú, no Pará, e a Araribóia, no Maranhão. Em seguida, aparece a TI Trincheira/Bacajá, também no Pará, que foi a mais ameaçada em 2025. O levantamento destaca a persistência desse cenário: metade das dez terras indígenas mais ameaçadas no período já havia aparecido no mesmo trimestre do ano passado.

Terras indígenas com mais Ameaça (abril a junho de 2026)

Ranking

Nome

Estado

1

TI Baú 

PA 

2

TI Araribóia 

MA 

3

TI Trincheira/Bacajá 

PA 

4

TI Parakanã 

PA 

5

TI Caititu 

AM 

6

TI Cana Brava 

MA 

7

TI Jacareúba/Katawixi 

AM 

8

TI Peneri/Tacaquiri 

AM 

9

TI Água Preta/Inari 

AM 

10

TI Igarapé do Caucho 

AC 

Metodologia do estudo permite antecipar avanço do desmatamento
Diferentemente do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que contabiliza o total de desmatamento nos territórios amazônicos, o relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas utiliza uma metodologia específica. A Amazônia Legal é dividida em quadrados de 10 por 10 km, chamados de células, e os pesquisadores identificam quantas dessas células registraram ocorrência de desmatamento.

A partir desse mapeamento, é possível apontar quais territórios estão mais pressionados, aqueles que concentram o maior número de células de desmatamento dentro de seus limites, e quais estão mais ameaçados, caracterizados pela maior concentração de desmatamento em seu entorno, em um raio de até 10 km. Essa abordagem permite antecipar o avanço da devastação em áreas protegidas.

Veja estudos anteriores aqui

Ameaça e pressão de desmatamento em áreas protegidas: Abril a Junho de 2026

Ameaça e pressão de desmatamento em áreas protegidas: Abril a Junho de 2026

Autores Bianca Santos, Júlia Ribeiro e Carlos Souza Jr.

Ano: Não informado

Meio de
Publicação: Boletins

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