Frigoríficos da Amazônia habilitados a exportar para Oriente Médio e Norte da África têm baixo controle contra o desmatamento

Análise do Radar Verde identificou 72 plantas frigoríficas habilitadas a exportar para mercados da região. Nenhuma demonstrou controle sobre fazendas fornecedoras indiretas.

01/07/26

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Uma nova análise feita pelo Radar Verde mostra que plantas frigoríficas da Amazônia Legal habilitadas a exportar carne bovina para importantes mercados do Oriente Médio e do Norte da África, conhecida como região do MENA (Middle East and North Africa), ainda apresentam fragilidades relevantes para evitar a associação de suas cadeias de fornecimento ao desmatamento. O levantamento identificou 72 plantas frigoríficas e 32 empresas de carne habilitadas a exportar para países como Argélia, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Líbano e Marrocos. Juntas, essas plantas representam cerca de 58% da capacidade total de abate na Amazônia Legal.

Apesar da relevância comercial desses mercados, nenhuma das plantas analisadas demonstrou controle sobre fazendas fornecedoras indiretas, etapa considerada um dos principais desafios para impedir que gado associado ao desmatamento entre na cadeia da carne bovina. No resultado geral do Radar Verde, 43 das 72 plantas frigoríficas habilitadas a exportar para esses mercados apresentam baixo nível de controle da cadeia, enquanto 29 têm controle muito baixo, o equivalente a 60% e 40%, respectivamente. A análise é baseada nos resultados de 2025 do Radar Verde, que avalia em que medida empresas frigoríficas adotam e implementam políticas de desmatamento zero capazes de prevenir vínculos entre a carne bovina e o desmatamento na Amazônia.

Entre as plantas analisadas, 39 das 72 demonstram alto nível de controle sobre as fazendas fornecedoras diretas, o que corresponde a 35% da capacidade total de abate da Amazônia Legal. O problema, segundo o levantamento, é que esse controle não se estende aos fornecedores indiretos, pois mesmo quando há avanços no monitoramento das fazendas que vendem diretamente aos frigoríficos, ainda não há evidências públicas suficientes de controle sobre etapas anteriores da produção.

A fragilidade ocorre em um momento de maior relevância do Oriente Médio e do Norte da África para a carne bovina brasileira. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para esses países chegaram a US$ 1,79 bilhão, o equivalente a aproximadamente 10% do total exportado pelo Brasil no ano. O estudo também aponta que, em 2026, esses mercados passaram a ganhar importância como alternativa para parte da carne brasileira que seria destinada à China, após a introdução de cotas tarifárias chinesas.

Nos países do Oriente Médio e do Norte da África, a certificação halal é uma condição básica de acesso ao mercado de carne bovina. No entanto, a análise destaca que a confiança na integridade da cadeia não deve se limitar ao cumprimento religioso e sanitário. Ela também depende de padrões, rastreabilidade e evidências de controle socioambiental.

Exposição ao desmatamento reforça necessidade de maior transparência

O Radar Verde também avaliou a exposição das plantas ao risco de desmatamento a partir de suas zonas potenciais de compra de gado. A análise mostra que plantas com zonas de compra mais amplas, especialmente no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre, e com baixo controle sobre as fazendas fornecedoras indiretas, enfrentam maior exposição ao risco. Entre as plantas analisadas, o nível de exposição varia de 31,3 mil hectares a 4,79 milhões de hectares.

Para reduzir esse risco sem romper relações comerciais estratégicas com o Brasil, o estudo recomenda que compradores, importadores, distribuidores, operadores halal, varejistas, fundos soberanos e agências públicas dos países da região usem o Radar Verde como ferramenta de diferenciação de fornecedores. Na prática, isso significa priorizar empresas que combinem quatro características: política pública de desmatamento zero, controles mais fortes sobre as fazendas fornecedoras diretas, divulgação de resultados de implementação e zonas de compra com menor exposição ao risco de desmatamento. Empresas com desempenho inferior poderiam permanecer em diálogo comercial, desde que apresentem planos de melhoria, metas anuais de transparência e prazos para ampliar o controle sobre as fazendas fornecedoras indiretas.

A análise também aponta medidas que poderiam fortalecer a credibilidade da cadeia brasileira, como melhorar o acesso às Guias de Trânsito Animal, integrar gradualmente o SISBOV ao Cadastro Ambiental Rural e a dados de desmatamento, além de direcionar incentivos financeiros a produtores e frigoríficos localizados em áreas com menor exposição ao risco e melhores condições de governança. Com isso, o Radar Verde afirma que a expansão da carne bovina brasileira para mercados do Oriente Médio e do Norte da África pode ser acompanhada de critérios mais claros de transparência e controle socioambiental, fortalecendo tanto a segurança do abastecimento quanto a credibilidade da cadeia da carne brasileira.

Middle East and North Africa Countries: The extent to which Brazilian beef companies, licensed to export to major MENA countries, demonstrate control over the suppliers to avoid deforestation in the Amazon

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Autores Imazon

Ano: 01/07/2026

Meio de
Publicação: Relatórios

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