Ameaça e pressão de desmatamento em áreas protegidas: Janeiro a Março de 2026

08/05/26

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Título
Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas - Janeiro a Março de 2026
Autores
Bianca Santos, Júlia Ribeiro e Carlos Souza Jr.
Meio de Publicação
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)
Idioma
Português
Quantidade de Páginas
2

AMEAÇA E PRESSÃO EM ÁREAS PROTEGIDAS: 

Áreas Protegidas (APs) representam um patrimônio nacional, e considerando a extensão das APs na Amazônia Legal (i.e., 4), os seus benefícios para a manutenção da biodiversidade, estoques de carbono e na geração de serviços ambientais, como a regulação do clima, transcendem a fronteira nacional, alcançando relevância global. Propomos uma metodologia para monitorar as Ameaças e Pressões nas APs baseada em dados de desmatamento (sem sombra de dúvidas, um dos maiores vetores de ameaças, mas há outros vetores como extração madeireira, garimpo, hidrelétricas). Usamos as seguintes definições:

AMEAÇA: é a medida do risco iminente de ocorrer desmatamento no interior de uma AP. Utilizamos uma distância de 10 km para indicar a zona de vizinhança de uma AP na qual a ocorrência de desmatamento indica ameaça. Muitas APs resistem a esse tipo de ameaça, não permitindo que o desmatamento penetre em seus limites.

PRESSÃO: ocorre quando o desmatamento se manifesta no interior da AP, levando a perdas de serviços ambientais e até mesmo à redução ou redefinição de limites da AP. Ou seja, é um processo interno que pode levar à desestabilização legal e ambiental da AP.

O Imazon apresentará a cada trimestre um relatório sintético de Ameaças e Pressões em APs com base em dados de alertas de desmatamento do SAD e um relatório anual com dados detalhados. Essa publicação apresenta os dados de Ameaça e Pressão referentes ao período de janeiro a março de 2026.

RESULTADO AMEAÇA E PRESSÃO

O SAD de janeiro a março de 2026 detectou um total de 348 km² de desmatamento na Amazônia. O cruzamento dos dados do SAD com a grade de células de 10 km x 10 km (i.e., 100 km²) revelou que:

  • Das 346 células que tiveram ocorrência de desmatamento, 229 (66%) indicam Ameaça e 117 (34%) Pressão em APs. O número de células com ocorrência de desmatamento de janeiro a março de 2026 é 36% maior em comparação com janeiro a março de 2025. Isso ocorre porque, apesar da área desmatada ter reduzido, o número de alertas aumentou 18% em comparação com o período anterior.
  • As APs mais Ameaçadas foram a Flona de Roraima (RR) e a TI Waimiri Atroari (AM/RR). Seis das dez APs mais ameaçadas do período se localizam no estado de Roraima. Cinco das dez APs mais ameaçadas do período também apareceram no ranking do período anterior (Gráfico 1).
  • A APA Triunfo do Xingu (PA) e a TI Yanomami (AM/RR) foram as APs mais Pressionadas. Quatro das dez APs mais pressionadas do período também apareceram no ranking do período anterior (Gráfico 2).
  • As TI Waimiri Atroari (AM/RR) e TI WaiWái (RR) foram as mais Ameaçadas no período. Cinco das dez TIs mais ameaçadas do período também apareceram no ranking do período anterior. A TI Yanomami (AM/RR) e a TI Alto Rio Negro (AM) lideram o ranking das mais pressionadas. Quatro das dez TIs mais pressionadas do período também apareceram no ranking do período anterior.
  • As Unidades de Conservação Federais que lideram o ranking de Ameaça são a Flona de Roraima (RR) e a Flona de Anauá (RR). Cinco das dez Unidades de Conservação Federais mais ameaçadas do período também apareceram no ranking do período anterior. Em relação à Pressão, a Resex Chico Mendes (AC) e a Esec de Caracaraí (RR) lideram o ranking.
  • As Unidades de Conservação Estaduais mais Ameaçadas foram a APA Caverna do Maroaga (Presidente Figueiredo) (AM) e a APA Margem Direita do Rio Negro (AM). Cinco das dez Unidades de Conservação Federais mais ameaçadas do período também apareceram no ranking do período anterior. Em relação à Pressão, a APA Triunfo do Xingu (PA) e a APA Arquipélago do Marajó (PA) são as líderes do ranking.

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