APA Triunfo do Xingu é a área protegida mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no primeiro trimestre de 2026

Território está no epicentro da expansão da pecuária extensiva no Pará, no município de São Félix do Xingu

08/05/26

A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada no município de São Félix do Xingu, no Pará, foi a área protegida mais pressionada pela derrubada florestal na Amazônia entre janeiro e março de 2026. Nos três últimos trimestres de 2025, o território também ocupou posições na lista das 10 áreas protegidas mais pressionadas.

Os dados são do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, do Imazon, que analisa quais territórios sofrem ameaça, quando a redução florestal ocorre nos seus arredores, e quais enfrentam pressão, caracterizada pelo desmatamento em seu interior.

“Ao transformar os dados de monitoramento em indicadores estratégicos, o estudo pode auxiliar governos e órgãos ambientais a otimizar recursos, direcionando equipes para os locais mais ameaçados. Ou seja, onde o crime ambiental está se aproximando, para realizar ações preventivas e impedir o avanço do desmatamento”, explica a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.

Entre os territórios com maior pressão, cinco são unidades de conservação estaduais, quatro são terras indígenas e apenas um é uma unidade de conservação federal.

Áreas Protegidas com mais pressão (Janeiro a Março de 2026)

RankingNomeCategoriaEstado
1APA Triunfo do XinguUCEPA
2TI YanomamiTIAM/RR
3TI Alto Rio Negro TIAM
4TI Raposa Serra do SolTIRR
5Resex Chico MendesUCFAC
6TI São MarcosTIRR
7APA Arquipélago do MarajóUCEPA
8APA Baixada MaranhenseUCEMA
9APA Caverna do Maroaga (Presidente Figueiredo)UCEAM
10APA Margem Direita do Rio NegroUCEAM

Roraima concentrou seis das 10 áreas protegidas mais ameaçadas

Ao observar as áreas protegidas mais ameaçadas, ou seja, aquelas em que a dinâmica da destruição ocorre em suas proximidades, o estado de Roraima possui seis dos 10 territórios mais críticos. Quatro deles estão integralmente no estado e outros dois parcialmente. No topo da lista está a Floresta Nacional (Flona) de Roraima, seguida pela Terra Indígena Waimiri Atroari, que também tem parte da área no Amazonas, e, em terceiro lugar, a Terra Indígena Wai Wai.

O estado passou a concentrar a maioria dos territórios com grau superior de ameaça em 2026 devido a uma combinação de fatores climáticos e dinâmicas regionais de uso do solo. “Enquanto a grande parte da Amazônia Legal passa pelo período chuvoso no início do ano, Roraima apresenta um regime climatológico inverso e atravessa sua estação seca. Esse cenário facilita a prática do desmatamento e o uso do fogo, elevando os índices de devastação no primeiro trimestre de 2026”, comenta Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon.  

Áreas Protegidas com mais ameaça (Janeiro a Março de 2026)

RankingNomeCategoriaEstado
1Flona de RoraimaUCFRR
2TI Waimiri AtroariTIAM/RR
3TI WaiWáiTIRR
4TI Uru-Eu-Wau-WauTIRO
5Flona de AnauáUCFRR
6Flona de Balata-TufariUCFAM
7TI PirititiTIRR
8TI YanomamiTIAM/RR
9Flona do JamanximUCFPA
10Resex do Cazumbá-IracemaUCFAC

Terra Indígena Yanomami sofre maior pressão no trimestre

Além de ser a segunda área protegida com maior pressão no ranking geral, o território Yanomami, localizado no Amazonas e em Roraima, ocupou a primeira posição na lista das terras indígenas mais pressionadas. Mesmo após os esforços de desintrusão realizados desde 2024 pelo Governo Federal, o local, que abriga uma população superior a 31 mil indígenas de oito povos diferentes, incluindo grupos isolados, segue com a presença do crime ambiental.

“A persistência da ilegalidade se dá por conta da existência de garimpos que utilizam estruturas menores e móveis, permitindo que os garimpeiros retornem aos ambientes explorados assim que as forças de segurança se retiram. A pressão também é favorecida pela logística clandestina de pistas de pouso dentro e no entorno da TI. Somado a isso, o aumento do desmatamento ilegal registrado em Roraima no início de 2026 intensificou os danos ambientais dentro dos limites do território originário, consolidando uma situação de alerta”, observa Bianca.

Em segundo lugar no ranking está a Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas, e, em terceiro, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O relatório ainda aponta que quatro dos 10 territórios da lista (Yanomami, Alto Rio Negro, Cué-Cué/Marabitanas e Waimiri Atroari), também apareceram entre os mais pressionados no levantamento do período anterior, de outubro a dezembro de 2025, o que reforça a presença constante do desmate.  

Terras Indígenas com mais pressão (Janeiro a Março de 2026)

RankingNomeEstado
1TI YanomamiAM/RR
2TI Alto Rio NegroAM
3TI Raposa Serra do SolRR
4TI São MarcosRR
5TI Cué-Cué/MarabitanasAM
6TI Manoá/PiumRR
7TI Porquinhos dos Canela-ApãnjekraMA
8TI Urubu BrancoMT
9TI Waimiri AtroariAM/RR
10TI BalaioAM

Já entre as ameaçadas estão a Terra Indígena Waimiri Atroari, situada no Amazonas e em Roraima, e a Terra Indígena WaiWái, que está  apenas em Roraima. Quatro dos 10 territórios mais ameaçados no intervalo também apareceram no ranking anterior: Waimiri Atroari, WaiWái, Trombetas/Mapuera e Alto Rio Guamá. 

Terras Indígenas com mais ameaça (Janeiro a Março de 2026)

RankingNomeEstado
1TI Waimiri AtroariAM/RR
2TI WaiWáiRR
3TI Uru-Eu-Wau-WauRO
4TI PirititiRR
5TI YanomamiAM/RR
6TI ManokiMT
7TI Trombetas/MapueraAM/PA/RR
8TI Alto Rio GuamáPA
9TI AripuanãMT
10TI BaúPA
Ameaça e pressão de desmatamento em áreas protegidas: Janeiro a Março de 2026

Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas - Janeiro a Março de 2026

Authors Bianca Santos, Júlia Ribeiro e Carlos Souza Jr.

Year: Não informado

Publication
Medium: Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)

Foto: Desmatamento para garimpo na APA Triunfo do Xingu (Christian Braga /Greenpeace)

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