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Dia da Biodiversidade: espécie rara, gato-mourisco, é registrado pela primeira vez na Esec Grão-Pará
Projeto do Imazon e Iepé, em parceria com comunidades indígenas, prevê monitoramento de longo prazo da fauna e da flora em duas Unidades de Conservação do norte do Pará
22/05/26
Gato-mourisco é registrado por câmera enquanto percorre trilha monitorada pelo Programa Grande Tumucumaque.
Um felino de corpo alongado, cabeça pequena e cauda longa foi registrado pelas câmeras do Programa Grande Tumucumaque pela primeira vez na Estação Ecológica (Esec) Grão-Pará, localizada no norte do Pará. O gato-mourisco, também conhecido como jaguarundi, é um animal raro por possuir baixa densidade populacional. Apesar de ser encontrado em todos os biomas brasileiros e até fora do país, é classificado como vulnerável à extinção pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (Salve), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Essa e outras espécies compõem o ecossistema da área monitorada pelo Programa Grande Tumucumaque, uma iniciativa do Imazon e do Iepé em parceria com as organizações indígenas Apitikatxi, Apiwa e Tekohara, a Funai e o Ideflor-Bio. O programa prevê um monitoramento de 15 anos da fauna e da flora nas unidades de conservação Esec Grão-Pará e Rebio Maicuru, além do fortalecimento territorial dessas UC’s e das terras indígenas vizinhas Zoé, Rio Paru D’Este e Parque do Tumucumaque.
A área de atuação do projeto possui cerca de 10 milhões de hectares de florestas contínuas e se caracteriza por estar localizada em um centro de endemismo conhecido como Escudo das Guianas. Fazendo fronteira com a Guiana Francesa e o Suriname, esse território abriga espécies únicas, que só ocorrem na região. No entanto, muitas delas são ameaçadas de extinção, principalmente pelos impactos das mudanças climáticas, pela destruição de seus habitats naturais e pela caça e pesca predatórias.
“É fundamental monitorar a biodiversidade nesse local para entender como essas espécies estão respondendo aos impactos das mudanças climáticas que afetam o ambiente ao longo do tempo. Com o monitoramento de longo prazo, vamos ter um panorama mais amplo da biodiversidade local, o que pode colaborar com a proteção territorial”, explica Jarine Reis, pesquisadora do Imazon e bióloga do projeto.
Monitoramento da biodiversidade é protagonizado por indígenas
Equipe de monitores indígenas e facilitadores do projeto (Foto: Ana Paula Gato/Ideflor-Bio)
A pesquisa, que utiliza a metodologia do Protocolo Florestal do Programa Monitora, do ICMBio, iniciou as atividades com a colaboração de nove monitores indígenas que habitam a região. Eles receberam formação sobre como realizar o monitoramento, registrar os dados coletados em campo e utilizar os equipamentos necessários.
A partir disso, a equipe elaborou um censo para registrar as espécies de animais comumente caçadas pelas populações originárias locais. Em seguida, foram abertas duas trilhas e instalados oito gravadores bioacústicos e oito câmeras trap. Acopladas às árvores em pontos estratégicos da floresta, elas são próprias para camuflagem e contam com sensores de movimento e visão noturna infravermelha.
Após três meses na floresta, entre novembro de 2025 e o início de fevereiro de 2026, as câmeras identificaram cerca de 44 espécies de animais, principalmente de médio e grande porte, entre elas anta, tamanduá, tatu-bola, onça-parda, onça-pintada e gato-mourisco. O balanço analisado até o momento registrou 94 mamíferos e 50 aves cinegéticas.
“Esse programa pode colaborar com o monitoramento e proteção do nosso território. Para mim foi muito importante participar dessa atividade para aprender mais sobre o monitoramento, conhecer mais as espécies de animais, os nomes e compartilhar com a comunidade, com as crianças essas informações. Isso é muito importante para nós e para nossas futuras gerações”, comenta a monitora Erlane Tiriyó, habitante da aldeia Boca do Marapi, no Parque Indígena do Tumucumaque.
Anta registrada durante a noite por armadilha fotográfica do programa, em dezembro de 2025.
“No Programa Grande Tumucumaque, os povos indígenas são protagonistas do monitoramento da biodiversidade, trazendo conhecimentos fundamentais sobre os animais, os ciclos da floresta e as transformações do território ao longo do tempo”, afirma Denise Fajardo, coordenadora do Programa Tumucumaque-Wayamu no Iepé.
Próximos passos do Programa Grande Tumucumaque
As imersões do grupo de pesquisa na floresta devem continuar ainda este ano, com retorno previsto até agosto, quando será aberta uma nova trilha e instaladas 15 novas câmeras e 15 novos gravadores bioacústicos, capazes de captar vários sons, incluindo aves e insetos, presentes no território.
“Estamos fazendo o monitoramento participativo com os indígenas, o que é muito importante para a integração do território. Para os povos indígenas, não existem limites territoriais. Então, ao conhecerem o território vizinho, eles podem contribuir ainda mais para a proteção da região”, reforça Jarine.
O Programa Grande Tumucumaque tem financiamento da Nia Tero e do LLF.
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